sexta-feira, 14 de abril de 2017

Doravante chamemos ao pensamento


Doravante chamemos ao pensamento
A casa que nos habita
No acolher de nós mesmos.

Ayalal,
27.Calistril.4711

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Herói


Herói
É o que conquista,
De gume embainhado,
A inspiração e o sorriso
Inusitado,
O que combate
Contorcer que é esgar
A deformar
Este espírito contido,
E lhe salva o sentido
De existir.

Ayalal,
30.Gozran.4700

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sentado na amurada do mundo


Sentado na amurada do mundo,
Retorno ao silêncio para escutar,
Longínquo, o mar
Que revolve em si as praias
De cada um.

Oiço a maré, que vai e vem,
Cada onda que grita,
Ou hesita
Em tomar da areia
Um grão de pensamento.

Quedo, permito-me ser oceano,
E vogar num instante
O Inconstante
Que muta na maresia
Do que é Tudo.

Miranda, John William Waterhouse (1875)
Ayalal,
02.Desnus.4700

domingo, 2 de abril de 2017

Os sonhos são flores efémeras

Meadow, Anna Billing (1849 - 1927)

Os sonhos são flores efémeras
Que colhes, sorrindo.

Ayalal,
07.Desnus.4700

sábado, 1 de abril de 2017

Recomeço, na vaga de luz


Recomeço, na vaga de luz
Que toma o dia
No nascimento de si.

Ayalal,
26.Gozran.4700

Vê de que forma é perfeita


Vê de que forma é perfeita
A imperfeição.
Há beleza naquele detalhe
De incerteza
Com que a moldou
A Criação.

Ayalal,
23.Gozran.4700

terça-feira, 28 de março de 2017

Desembainha a pena


Desembainha a pena
E trespassa
A folha que te retém,
Ferindo-a com a palavra,
E tornando-a refém
Do pensamento.

Ayalal,
17.Gozran.4700

segunda-feira, 27 de março de 2017

Dói-me a lágrima


Dói-me a lágrima
Que espreita de teu olhar
Sem nunca cair.

Dói-me o sorriso
Que disfarçado de alegria
Jamais vacila.

Dói-me ver
A verdade subtil
Que se esconde na mentira.

Dói-me, e cinjo
Ao peito o estremecer
Em ti contido.

Ayalal,
12.Gozran.4700

domingo, 26 de março de 2017

Mais além há o mundo


Mais além há o mundo
Que sussurra curiosidade
Ao que o imagina.
Não escutas dele
O inexplicável que apela
À tua ida?
Toma o seu encanto
Na tua vontade
E parte
Com a despedida.


A Grand View of the Sea Shore, Claude-Joseph Vernet (1776)

Ayalal,
07.Gozran.4700

sexta-feira, 24 de março de 2017

Se é eterno o esquecimento


Se é eterno o esquecimento,
Bane-se a existência
Para o não existir.

Ayalal,
02.Gozran.4700

terça-feira, 21 de março de 2017

Escrevo, para reescrever


Escrevo, para reescrever
O olhar de quem vislumbra
O mundo,
De alma repartida
No contínuo do verso.

Ayalal,
31.Pharast.4700

Era inóspita


Era inóspita,
E a luz rasgava o olhar.
O vento soprava ameaças
Ao desconhecido,
E ela tremia, feliz,
Espreitando o sopé,
Frágil, porém firme de raiz,
A donzela da montanha,
Solitária.

Ayalal,
26.Pharast.4700

Pergunto, por vezes


Pergunto, por vezes,
Ao silêncio cadente,
Que existência é a sua.
Porém, ele não responde,
Ele não me escuta,
Nesse seu instante
De inexistência.

Ayalal,
25.Pharast.4700

domingo, 19 de março de 2017

O céu é dos que voam


O céu é dos que voam
E dos que sonham
Vir um dia a voar,
Tomando em si a imensidão
Do que é livre

(E a força d’acreditar).

Ayalal,
20.Pharast.4700

sábado, 18 de março de 2017

É d'ouro o Sol que abarca o mundo


É d’ouro o Sol que abarca o mundo,
Seu sorrido raiado do alento
Que me inspira e instiga
A ser feliz.

Ayalal,
17.Pharast.4700

Há um oceano


The British Channel Seen from the Dorsetshire Cliffs, John Brett (1831–1902)

Há um oceano
De águas calmas,
Em teu olhar,

De um azul profundo
Donde, por vezes, escuto
O marulhar

E o sussurro
Que a mim envolve
Ao mergulhar.

Ayalal,
16.Pharast.4700

terça-feira, 14 de março de 2017

Dançamos


Dançamos,
Quando a chuva é criança a brincar
Connosco, no areal;

Cantamos,
Na bênção dos deuses que vislumbram
Nosso sorrir;

Tocamos,
A ária das mãos que se dão, suaves,
Porém sem apartar;

Vivemos,
A música que descalça corre a praia
Para ser feliz.

Ayalal,
11.Pharast.4700

sexta-feira, 10 de março de 2017

Há suspiros


Há suspiros
Que drenam alento
Até a Vontade expirar.

Ayalal,
06.Pharast.4700

quinta-feira, 9 de março de 2017

Sois feitos de luz

Lantern 02, Snowfake (2012)

Sois feitos de luz,
Pequena chama que oscila
Na candeia do corpo.

Ayalal,
02.Pharast.4700