segunda-feira, 11 de setembro de 2017

There are things we believe in


There are things we believe in,
And things we don’t believe in at all;
At the end, believing is a sin
That hurts more than the truth
Where we all fall.

*

Existe aquilo em que se crê,
E o que não se crê de todo.
No fim, a crença é pecado
Que dói mais que a verdade
Na qual tombamos.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

O que é a luz na escuridão?


O que é a luz na escuridão?
É inspiração
Que oferta seu raiar.
Quiçá nos estenda a mão,
Quiçá seja sua a intenção
De nos matar.

Ayalal,
09.Desnus.4711

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Despojo-me de mim


Despojo-me de mim.
Sou livre,
Na consciência de nada ser.

*

I deprive me of myself.
I’m free,
In the conscience of being nothing.


Ayalal,
02.Desnus.4711

domingo, 23 de julho de 2017

Recordo a tua alegria


Recordo a tua alegria
Com a dor que atenta
Contra mim e ludibria
A sanidade;

Recordo o teu sorrir,
Tão puro
E sem de si fingir,
Que me oferecia o Sol;

Recordo o toque morno
Do abraço que detinha
Mundo e sonho
Que se esvaiu.

E choro...
Choro a cada dia fugidio,
Ao qual imploro
Por ti.
Ayalal,
28.Gozran.4711

terça-feira, 18 de julho de 2017

Há, sob meus pés


Há, sob meus pés,
Um trilho trôpego que descalço
Se palmilha em busca de mim.
Desconheço o rumo que segue;
Quiçá me encontre no fim.


June in the Austrian Tyrol, John MacWhiter (1892)


Ayalal,
25.Gozran.4711

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A ausência remexe-se


A ausência remexe-se 
E rouba o fôlego do que é vivo, 
Rouba, com um sorriso 
Que rasga o peito, 
Em seu vil trejeito 
D’agrado entristecido.

*

Absence fidgets and steals
The breath of what is alive,
It steals, with a smile
That tears the breast,
In its vile grimace
Of sorrowful pleasure.

Ayalal,
20.Gozran.4711

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Há o esquecer


Há o esquecer
E o esquecido,
E o recordar
Daquilo que no tempo
É volvido.

Ayalal,
13.Gozran.4711

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Há mortos que vivem


Há mortos que vivem
No horizonte de um olhar cego,
Acomodados nas montanhas
De cumes pensados
E sopés esquecidos,
Envelhecendo e extinguindo
O Tempo na Eternidade.

Ayalal,
14.Gozran.4711

domingo, 25 de junho de 2017

Fantasma de ninguém


Hoje falei
Com o fantasma de ninguém.
De si consumia
A solidão do que não mais havia
No existir.

Porém não era sua a inexistência,
Conquanto a persistência
De a obter.
“Somos eternos”, acabei por dizer;
Não aceitou.

“Há na distância
O início que reencontra a infância
Do Mundo,
A do seu inato fecundo,
Cerne de nós”.

Ele hesitou,
“Mas não há ninguém no que sou”.
O rumorejar
Ecoou na floresta, na terra, no ar,
Infindo.

Sorri,
“Há um pouco de tudo em ti”.
Abarquei no olhar
O horizonte que havia a explorar,
Desconhecido.

Ele sorriu também
E partiu para ser alguém,
E conhecer
O que o Mundo poderia ter
De si.

Three of Wands, ©Stephanie Pui-Mun Law, 2004-2010

Ayalal,
10.Gozran.4711

sábado, 10 de junho de 2017

As voltas e revoltas do espírito


As voltas e revoltas do espírito
Evolvem com a vivência
Da lembrança e do sorriso
Que desfolham a mágoa.

Ayalal,
5.Gozran.4711

sábado, 3 de junho de 2017

Escuto o choro de uma criança


Escuto o choro de uma criança
À beira da estrada caído.
Quebrou-se,
Quando era ainda sorriso
A aprender o trejeito de ser.

Ayalal,
2.Gozran.4711

domingo, 21 de maio de 2017

Há um cansaço


Há um cansaço
Que escava e mói
A vontade,
Uma fadiga densa
Que devora
Com seu suspiro,
Até ser vazio
O interior de quem jaz
Morto, ainda vivo.

Ayalal,
30.Pharast.4711

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Há um fim


Há um fim
Que o espírito ampara,
Na consciência de si,
Um término que recomeça
No abraço
Do mundo a quem nasceu
E partiu.

Ayalal,
26.Pharast.4711

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Há um lamento


Há um lamento
Que ecoa no espírito
Do vento,
Um murmúrio que ele canta,
E em seu escutar
Sente-se do segredo o intento
Da dor que é alento
E amar.

Ayalal,
23.Pharast.4711

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Persegue-me


Persegue-me
O pensamento que é infindo,
Tingindo
A perpétua cadência
Da lágrima.

Ayalal,
07.Pharast.4711

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A morte tem


A morte tem
Um gosto a desdém
Que entoa na alma o desejo
De ser oca
Para não sentir.

Ayalal,
02.Pharast.4711

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Doravante chamemos ao pensamento


Doravante chamemos ao pensamento
A casa que nos habita
No acolher de nós mesmos.

Ayalal,
27.Calistril.4711

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Herói


Herói
É o que conquista,
De gume embainhado,
A inspiração e o sorriso
Inusitado,
O que combate
Contorcer que é esgar
A deformar
Este espírito contido,
E lhe salva o sentido
De existir.

Ayalal,
30.Gozran.4700

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sentado na amurada do mundo


Sentado na amurada do mundo,
Retorno ao silêncio para escutar,
Longínquo, o mar
Que revolve em si as praias
De cada um.

Oiço a maré, que vai e vem,
Cada onda que grita,
Ou hesita
Em tomar da areia
Um grão de pensamento.

Quedo, permito-me ser oceano,
E vogar num instante
O Inconstante
Que muta na maresia
Do que é Tudo.

Miranda, John William Waterhouse (1875)
Ayalal,
02.Desnus.4700