quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Passeiam de mão dada


Passeiam de mão dada,
Os olhares que não se cruzam…
Não existem olhos a cruzar.
Há cegueira em seu passeio,
E no toque que é permeio
Da palavra amar.

Ayalal,
18.Abadius.4700

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O Mundo escreve

Timepiece, ©2012 Stephanie Pui-Mun Law

O Mundo escreve, em tinta
Que o olhar não vê,
A História do caminhar do Tempo,
A cada passo, onde é infinda
A inspiração da vida e do fenecer.


Ayalal,
15.Abadius.4700

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O mundo


O mundo
Mimetiza o sonho de ninguém.

Porém,
É um composto de fracções
Unidas na vontade
De sonhar.

Ayalal,
15.Abadius.4700

Estranho


Estranho
Aquele que, de amável,
Doa um sorriso
D’alegria peculiar:

A que é livre e inocente,
A que, de sincera, mente
Para d'outrem receber
Um olhar que condiz
Com o que é feliz.

Estranho,
E sorrio para mim.

A Trusting Moment, Frederick Stuart Church

Ayalal,
12.Abadius.4700

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Encontrei um coração caído


Encontrei um coração caído
Na Rua de Não Ser.

O seu bater sustido
Albergava o que, escondido,
Sobrava de si.
E não havia sussurro,
Que seu espírito mudo,
Perdera-se ali.

Tomei-o na mão
E guardei-o em mim.

Transportei-o de rua em rua,
Até encontrar a sua,
Num corpo por habitar.
Porém, não mais quis partir,
Abrigara-se para não ir,
E tomara em mim um lar.

Sorri e aconcheguei-o,
Para não mais o abandonar.

Ayalal,
07.Abadius.4700

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Há na flor do campo

Spirit of Springtime, Vasily Alexandrovich Kotarbinsky

Há na flor do campo
A singela vontade, que se avulta,
De ser encanto,
Enquanto baila,
De pétalas na mão do vento,
Cintura esguia a oscilar
Ao rumor do entretanto.

Ayalal,
04.Abadius.4700

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ora ao deus que a ti não escuta


Ora ao deus que a ti não escuta,
Ora, que em teu orar,
Há do divino a força muda
De crer no acreditar.

Ayalal,
01.Abadius.4700

sábado, 26 de novembro de 2016

Esquecer


Esquecer
Para não mais lembrar
É matar
Resquícios do Ser.

Ayalal,
31.Kuthona.4699

domingo, 20 de novembro de 2016

No céu são castelo as nuvens


No céu são castelo as nuvens
Onde os deuses urdem seus desígnios.
Em cada forma, por cada tom,
Enfuna-se o fôlego dos sentidos,
E no vento que ora inspira bonança,
Ora a tempestade que é mudança,
Há a expiração da criação.
Ayalal,
26.Kuthona.4699

domingo, 13 de novembro de 2016

Vem, debruça-te à janela


Vem, debruça-te à janela
Do mundo que evolve,
E espreita o torvelinho a ecoar
Ditames de mentes soltas
Que constrangem seu pensar.

Vai ali o taciturno de olhar caído
Na calçada que corre a estrada;
A sua vai para tornar
Ao donde não saiu, e persiste
Até passar o taciturno do meditar.

Mais à frente, aguarda o que sorri
Embustes e tece intrigas
Nas agulhas céleres do congeminar,
Vira a esquina e segue a passo o trilho
Da mente que se há-de estreitar.

Agora escuta os cascos e observa
O cavaleiro que segue a rua das restrições.
É a mais estreita a apertar,
Tanto que a luz se fina num beco
Ladrão que lhe rouba o ar.

No entanto, ali vai a liberdade.
Vê como corre, pequena e ligeira!
É senhora das ruas a abarcar,
Com seus pés indecisos que pensam
Tudo o que há a imaginar.

Salta entre avenidas, roda sobre si,
Dança com o riso, na chuva do olhar,
E, se atentares, podes vê-la voar.
Voa tanto que por vezes foge
Para as ruas do não mais voltar.

Ayalal,
23. Kuthona.4699

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Diria que o acaso


Diria que o acaso
Imita o improvável, sem imitar
Vertentes que rolam o Fado
Íngreme do desejar.
Nada é vontade, tudo são
Deuses com parte do coração
Ambíguo, alguns por habitar.
Ditam-nos sua imaginação;
Em nós há a força d'imutar.

Ayalal,
4711

Antevê-se na percepção


Antevê-se na percepção
Levada ao infindo do pressentido;
Inspira-se a flecha na visão,
Recua e aponta ao coração,
Alvo do arco flectido.

Ayalal,
4711

Deténs a dita sagacidade


Deténs a dita sagacidade,
Astúcia de si armada,
Inflectidas na vontade.
Sobre o golpe da adaga,
Urde o que será então,
Kitsune d’arma em mão
E esquartejo de espada.

Ayalal,
4711

Há persistência em seu pensar


Há persistência em seu pensar.
A força é de si intento
Levado ao destino de se alcançar.

Ayalal,
4711

domingo, 6 de novembro de 2016

É de luz que se pinta seu sorriso


É de luz que se pinta
Seu sorriso,
Uno na bondade do olhar.
Ri, criança, deixa que teu riso
Instile vida, seja magia...

E que o mundo possa conquistar.

Ayalal,
4711

sábado, 5 de novembro de 2016

A distância tem em si o apartar


A distância tem em si o apartar
Do toque.
Há, contudo, no olhar
Contemplação
Que da memória faz seu lar.

Saë sandanor*

Ayalal,
10.Kuthona.4699

*Não esqueças

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Há uma estranheza no olhar


Há uma estranheza no olhar;
Na alma evolve o contido
Que não mais se contem,
E o gesto é tremido,
Quando a palavra retém
A revolta, qual vestido
De que se traja alguém
Para com o mundo dançar.

Ayalal,
16.Kuthona.4699

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Por cada toque inusitado


Por cada toque inusitado
De teu olhar ao mundo,
Nasceu a senciência do inato
Sonho que, no profundo,
Volvia em ti.

Ayalal,
7.Kuthona.4699

sábado, 22 de outubro de 2016

Há, no marulhar


Há, no marulhar,
A saudade de ser chuva
A beijar o mar.

Mystic Sea, Maureen E. Kerstein
Ayalal,
1.Kuthona.4699

Não pendas da forca do pensar


Não pendas da forca do pensar
Que restringe as palavras.
Ordena à corda que desenlace do nó
A veracidade que opina muda
Na bravura de teu olhar,
E seja palavra que se desnuda
De preconceito e vergonha sua,
Aquando o ímpeto de falar.

Ayalal,
4.Kuthona.4699

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Desagua, ligeira


Desagua, ligeira,
Oh, foz que és mar
No impensar do rio.
Antes foste ribeira
Alegre, em fio d'estio,
E chuva, nuvem, vapor
Vago, em ti contido.
És sapiência de ciclo
Que corre ao sabor
De um suspiro.

Ayalal,
21.Neth.4699

sábado, 24 de setembro de 2016

Pinto o céu de palavras


Pinto o céu de palavras
Que se desnudam,
Sob o terno toque do vento.

Que se cubram nas nuvens,
Donde tomam o pudor
De se vestirem de chuva,

E derramem entre nós
A sonoridade de si,
Que escreve sem tinta

Nas ruas.

Ayalal,
30.Neth.4699

domingo, 18 de setembro de 2016

Sois Sol, mundo e coração


Sois Sol, mundo e coração
De cadência viva,
Inspiração
Que cogita a serena
Sinceridade do sorriso,
Enquanto sorri.

Ayalal,
26.Neth.4699

sábado, 17 de setembro de 2016

As tuas cordas choram a mágoa

Still Life with Violin, Bow and Sheet Music,
Nicholas Alden Brooks (1903)

As tuas cordas choram a mágoa
Daquele que desconhece o inato
De sua existência.

Ayalal,
08.Neth.4699

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não roubais a senciência


Não roubais a senciência
Ao ente que de parco tem em si
A agrura que se avulta
No ponderar,

Nem a tomais do sábio,
Que se perdida, sua mão
É dada ao álgido ventre
Da lógica.

Ayalal,
15.Neth.4699

domingo, 11 de setembro de 2016

Repouso no céu o olhar


Repouso no céu o olhar,
Onde o inato detém para si
Os mundos que, ao imaginar,
A realidade tomam de mim.

Têm de vida o desconhecer,
Que evolve, sereno, longínquo,
No que vejo, sem ver,
Da existência que pressinto.

Ayalal,
07.Neth.4699

domingo, 4 de setembro de 2016

Espelha-se na tua mentira


Espelha-se na tua mentira
A verdade que nela habita,
No profundo de seu coração,
No olhar que hesita,
No trejeito,
Oh, por vezes tão perfeito
Que a suspeita é por si,
De seu jeito, revelação,
E no desígnio, que encoberto,
Tem dele o mais incerto,
E a mais pura intenção.


The Mirror, Frank Dicksee (1896)

Ayalal,
02.Neth.4699

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ergue, em pergaminho antigo


Ergue, em pergaminho antigo,
O barco que navegará o mar
De cada folha, cruzando ondas
De frases ignotas, para aportar
No parágrafo que é, de intento,
Um livro descoberto a findar.

Ayalal,
21.Lamashan.4699

domingo, 21 de agosto de 2016

Rasga o céu


Rasga o céu e silencia
A pequenez do mundo
Que se recusa a ouvir.
Sê da natura força rosnar
Do ímpeto que a acomete,
Selvagem, senhora do tudo,
E senhora de si.

Que te venerem, venerando-se,
De respeito em punho,
Igual por igual, que somos
Parte de um todo, complexo
Uno que se quer partir.
Tempestade, rasga o céu e alumia
A pequena mente dessa parte de ti.


Miranda -The Tempest, J.W. Waterhouse (1916)

Ayalal,
31.Lamashan.4699

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Há quem nasça no dia de não Ser


Há quem nasça
No dia de não Ser,
Quando no céu
As estrelas se apagam
Para não ver
A pequena mão
Estendida da inocência
Do nascer.

O choro é alto, porém
Apagado p'lo não querer
Ouvir, os dedos
Esfriam sob o álgido
Do dessaber,
Escondendo o olhar
No não mais acordar
Do adormecer.

Ayalal,
26.Lamashan.4699

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Defino-te em utopia


Defino-te em utopia,
De trejeito que é horizonte
Decidido pelo Sol
Ao seu nascer.
Da aurora tens o raiar
Que sorri na alegoria
Do cumprimento ao mundo
Tomado
Pelo despertar.

Ayalal,
18.Lamashan.4699

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Doo a vida


Doo a vida,
A quem a colher em mão
E semear na terra fértil,
Ainda que vazia,
Do mundo nascido
Em pensamento e criado
No coração.

Ayalal,
13.Lamashan.4699

Corre, de pés descalços


Corre, de pés descalços
Pisando as palavras que mordem
Da pele o inato, e esconde,
No silêncio tingido de ti,
O que não é razão.

Ayalal,
12.Lamashan.4699

sábado, 13 de agosto de 2016

Não lamentes a lágrima


Não lamentes a lágrima
Que foge ao olhar,
Aquando a tentativa
De sua prisão.
Livre, permite-lhe partir,
Libertando de ti o coração
Exausto do fingimento
De não sentir.

Ayalal,
07.Lamashan.4699

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Degustemos a companhia do céu


Degustemos a companhia do céu,
Enquanto as nuvens contam
Seus segredos ao deambular
Dos olhos que se perdem
Na imensidão
Que nos toma o ar.

Ayalal,
04.Lamashan.4699

domingo, 7 de agosto de 2016

Paremos o tempo


Paremos o tempo.
Que o Futuro seja sombra
De augúrio anónimo,
A aguardar o momento
Que nunca virá.

Nisso o Presente será
Sopro d’alento,
Que em seu sorriso tomará
A eternidade e o advento
De um sonho.

Ayalal,
27.Rova.4699

sábado, 6 de agosto de 2016

Não existe magia


Não existe magia
Nas palavras puras,
Nas runas simples
E desnudas
Que escrevo.

O encanto reserva-se
Ao fluir do desejo,
À vontade que revolve
O imo e o anseio,
E gera o fragmento
Que se avulta e enraíza
No Ser.


Ascent of the Spirit, Vladimir Kush


Ayalal,
24.Rova.4699

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A montanha ergue-se em titã


A montanha ergue-se em titã,
Emergindo em si, de raiz,
Quando seu tempo é ancião.

Ayalal,
17.Rova.4699

Empresta-me o teu espírito


Empresta-me o teu espírito
De coragem,
E a espada que empunhas
No coração.
Com ambas cruzarei as estradas,
Tão temidas,
De que se trilham os pesadelos.
E se um passo em falso
For traição,
Que o escudo seja a tua mão
Que me iça ao cair.

Ayalal,
16.Rova.4699

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fecha os olhos


Fecha os olhos
E sê de ti mesmo escuridão.
Mas, sob as pálpebras,
Guarda os resquícios que são
Memórias de luz.
Ayalal,
13.Rova.4699

domingo, 31 de julho de 2016

Mergulha no céu e toma o ar


Mergulha no céu e toma o ar
Que das asas insufla os sentidos.
Nessa dança o vento é teu par,
Em cuja ária são envolvidos 
O riso puro que é do mundo
E seu pensar, leve e profundo,
Como a modéstia de voar.

Ayalal,
09.Rova.4699

sábado, 30 de julho de 2016

O segredo que guardo


O segredo que guardo
No coração
É a ouro e prata
Debruado.
De sua riqueza,
A chave retém-se
Em minha mão,
Que mantém o segredo
Fechado
Entre a promessa
E a solidão
De não ser partilhado.
Ayalal,
30.Arodus.4699

Não os sigas sem que te vejam


Não os sigas sem que te vejam,
Mas que vejam somente a ti,
Conquanto a visão do mundo
Seja ampla só por si.

Corre em seu encalço e chama-os,
Quiçá em silêncio, para os invocar,
Com palavras mudas que são desejo
De a todos eles abarcar.

E não esqueças, no incessante fugir,
Busca-os, quando Ela os esconder,
Porque são teus os sonhos fugidios
Que em tanto temem ser.

Pois quando os esqueceres,
Quando não mais seja intenção
O perseguir, tanto eles,
Como parte de ti, morrerão.

Ayalal,
04.Rova.4699

quarta-feira, 27 de julho de 2016

As estrelas fiam os mundos


De sua luz,
As estrelas fiam os mundos
De que se veste a existência.

Ayalal,
22.Arodus.4699

terça-feira, 26 de julho de 2016

As gotas de orvalho choram das folhas


As gotas de orvalho choram das folhas
Sentidas, e do abraço que os ramos esguios
Dão à brisa que passa.

São, no erguer da alva, a lágrima caída
Da floresta que jazia adormecida
E boceja ao despertar.

Ayalal,
14.Arodus.4699

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A Noite tem em seu inato

Ophelia, Maria Spilsbury (1777-1823)

A Noite tem em seu inato
O encanto de donzela sem medo,
Que trilha o desconhecido, perdida
E de pés descalços.

O seu olhar é das estrelas
Que da imensidão perscrutam o Tudo
Da escuridão, que é o cabelo
Entrançado com o mundo.

A pele toca os detalhes, os dedos
Deslizam sobre o que não vê,
Vislumbrando de um horizonte
O não sabido pelo Dia.

E ouço-a, em sussurro, cantar, secreta
A melodia que avança, inevitável,
Até, por fim, a donzela se encontrar
No amanhecer, e desaparecer.







Ayalal,
19.Arodus.4699

domingo, 24 de julho de 2016

Quedo-me, exaurido da estrada


Quedo-me, exaurido da estrada,
E peço ao Velho Peregrino que passa
Indicação do caminho a seguir.

Em resposta, oferece-me histórias,
Porque na partilha de palavras
Há mais de mil estradas.

Ayalal,
07.Arodus.4699

sábado, 23 de julho de 2016

Não contes os dias que foram


Não contes os dias que foram,
Nem mesmo os que serão,
Porque, ao contá-los,
Perdes os dias que são.

Ayalal,
19.Erastus.4699

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Caminha sempre em frente


Caminha sempre em frente.
Que não te fiquem para trás
Os olhos, caídos.

Ayalal,
08.Erastus.4699

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Rosa

The Soul of the Rose, J. W. Waterhouse (1908)



Oh, como rouba de ti a beleza,
A rosa que se queda expectante
No corpo de sua mãe!

Toma, na fracção do mimetismo,
A suavidade do contraste
Que lhe adoça as pétalas,

E no perfume que torna ébrio
O coração, mergulha a sensatez
De ser flor por colher.







Ayalal,
02.Arodus.4699

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Hoje sonhei que não era eu


Hoje sonhei que não era eu,
Mas uma sombra incorpórea,
De passos dúbios e gestos
Amplos de tão vagos.

Projectado na parede, era mancha,
Qual líquen que da pedra corrói a pele,
E no chão sustinha o peso dos pés
Que, incontáveis, pisavam sem ver.

Deslizava, inseguro, estirando
A consciência sob a luz,
Para ser ínfimo e esconder-me
Onde era visível a qualquer um.

E buscava por ela,
Ela que continha a resposta,
Escondida nos meandros negros
De si – escuridão.

Porém, quando a vi, fugi.
Tomá-la seria desaparecer de mim.
E, enquanto a luz for o redor,
Serei existência.

Ayalal,
24.Erastus.4699

terça-feira, 19 de julho de 2016

Inexistência do Silêncio


Paro, atento no silêncio
E digo-vos o que escuto…

Escuto a sua inexistência,
Detalhada na multiplicidade;
O sussurro da corrente de ar, o roçagar
Do atrito do que não vejo.

Do longínquo chegam-me
Vestígios de palavras que se perdem
Na distância. E aves…
Como é belo o misto do seu cantar
E o do ramalhar das árvores!

Mas há mais, na ausência
Desse silêncio.
Há o murmúrio de ti e de mim,
O bater do coração, o fluxo
Do que anima o corpo,
Sons do mundo e sons de vida.

Quando houver só silêncio, a inexistência
Será minha.

Ayalal,
17.Erastus.4699

sábado, 16 de julho de 2016

Inspira o espaço


Inspira o espaço que é
Partícula imaginária do pensamento
Divino,
Permitindo que do teu ermo
Se preencha cada interstício filho
Do inóspito.

Ayalal,
06.Erastus.4699

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Doa a alma ao coração


Doa a alma ao coração,
Quando da razão
Restar o não pensar.

A sua escolha será
A do sentido onde recairá
A decisão.

Quantos dos sábios não sentem
Quando as razões mentem
Ao espírito,

E quando é dúbia a escolha
E não há lógica que suponha
O correcto?

Por isso, sê sábio no sentir,
Que o juízo que há-de vir
Tomará seu rumo.

Pondera o ponderado,
Porque no erro precipitado
Finda o sonho.
Ayalal,
12.Erastus.4699

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pequena semente, brinca


Pequena semente, brinca,
De mão dada com a Vida,
Enquanto ela conta de si o detalhe
Da lágrima e do sorriso que são
A tua existência.

Ayalal,
27.Sarenith.4699

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Deslizando sobre o pergaminho


Deslizando sobre o pergaminho, pensativa,
A pena deixa reminiscências de ti,
No pormenor da caligrafia
Esguia e cuidada no floreado, leve
Ao toque suave do olhar.
Por vezes a linha treme, por vezes
A mão hesita.
A letra que encalça o intento,
Conquanto insegura, prossegue,
Até do aparo se esgotar a tinta
E o tinteiro ser somente receptáculo
Vazio, da pena que suspira.

Ayalal,
07.Erastus.4699

terça-feira, 12 de julho de 2016

Há um fim na infinidade do tempo


Há um fim na infinidade do tempo.

Quando o último expirar decai no limbo do "não mais",
E se esgota do corpo o movimento que o anima,
Pharasma estende o acolhimento de sua mão
Fria.

Que seja do invólucro o repouso, e da alma o julgamento
Do que o moveu.

Ayalal,
03.Erastus.4699

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Frágil e efémera


Frágil e efémera,
Um beijo colhe-te em si.

Guarda-te no peito,
E na eternidade da lembrança.


@2015 Stephanie Pui-mun Law
Ayalal,
01.Lamashan.4699

Com o esboço de um sorriso tímido


Com o esboço de um sorriso tímido,
Conquistas do céu os astros.
És senhor de seu brilho, conquanto brilhes mais,
Irmão das que pontilham a noite.
Em teu redor gravita a consciência do ouvinte
Que escuta o bardo, e do crente
Que no altar contempla de seu anjo encarnação.
És pequena utopia nas mãos do mundo,
Filho dos deuses.

Ayalal,
21.Sarenith.4699

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Há na simplicidade a paz da descomplicação


Há na simplicidade a paz da descomplicação.
Vê como das árvores pendentes as folhas repousam,
Sem pensares.
Delongam-se na brisa que é carícia,
No vento forte que as arranca e leva em si.
Livres e simples, correm o mundo.

Ayalal,
31.Desnus.4699

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Em busca do dia em diante


Durante mais do que um humano tem de vida,
Vivi cada dia em busca do dia em diante,
Sem o encontrar.
Ele fugia (e como corria!) na agilidade mutável
Que o Tempo lhe concedeu.
Cansava-se o corpo, da consciência desgastava-se
A vontade pela busca que nada buscava.

Então, na procura pelo tempo que não pára de passar,
Aportei no porto dos enigmas, e deixei
De o querer apanhar.
Não mais quis o amanhã, para ficar preso no hoje,
No minuto que passa sob o arco que o Tempo
Perdeu no decorrer de si mesmo.
E encontrei o Presente.

Ayalal,
14.Sarenith.4699

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A poesia tem um travo doce e amargo


A poesia tem um travo doce e amargo,
Que agrada ao degustar.
A sua dor é suave, o alento sereno, porém
É de gigante a tenacidade
De fazer sentir.
Palavra a palavra, corrói de acidez e incendeia
Da alma a Vontade.
É ordem desordeira de sensações em amálgama
Que, sequiosas, bebem os sentidos,
Saciando-os.

Ayalal,
11.Sarenith.4699

terça-feira, 5 de julho de 2016

O luar é de ti guardião

Eternity ©2016 Stephanie Law




O luar é de ti guardião, quando quedas
E mergulhas nas águas dos sonhos.
Defende-te com a ternura de um beijo morno
Que desembainha, cavaleiro
Do subconsciente,
E escuda-te no abraço que envolve os mundos
Da entidade em ti presente.



Ayalal,
10.Sarenith.4699

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Há, no olhar do transeunte, um véu corrido


Há, no olhar do transeunte, um véu corrido,
Baço,
De quem vive só para ouvir bater o coração,
Que bate parado.
Olha, como quem nada vê no detalhe do complexo
Que o toca,
E não há lágrima que magoe pela dor de outrem.
A mortalha envolve a alma que a cerziu
Num padrão de malhas indiferentes,
Ignorando o verme que, sob os pés carcomidos,
É reflexo seu.
O transeunte passa e tudo o resto passa com ele,
Mas fica,
Do lado de fora do olhar.


Ayalal,
05.Sarenith.4699

sexta-feira, 1 de julho de 2016

As correntes tomam-te as penas


As correntes tomam-te as penas.
Liberta-as e sê de ti mesmo.
Evade-te da gaiola da mente
E voa com as asas do vento,
Sendo ave em sonho real.

Ayalal,
25.Desnus.4699

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Chuva


Sendo em si entidade múltipla,
Da qual é una a consciência,
A chuva precipita-se dos céus,
Cantando ao ritmo do tocar na terra
Que em seco é lama sem saber.
Lava das pedras as marcas
Do pó, num abraço húmido,
E beija a pele dos que, sentados
No campo, se apaixonam
Pela simplicidade fria que é de cada gota.
No fim, o Sol desponta e as flores sorriem,
Tomando da chuva inspiração
Para viverem.

Ayalal,
02.Sarenith.4699

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Palavras que são veneno


Quando imbuídas em veneno,
As palavras são moléstia que consome
Dos fracos o espírito e acicata
As violentas hostes da ignorância.

Ayalal,
25.Gozran.4699

terça-feira, 28 de junho de 2016

A magia do dedilhar


A magia do dedilhar,
Que da lira afaga o corpo,
É de Shelyn dádiva e condão,
Concebidos ao nascer.

É suave o toque que na corda
À nota insufla vida,
E a sua sonância é dom
Que, ao escutar, fascina.

A melodia toma o espírito,
E da consciência rouba a lógica,
Para que possa dançar livre,
Com cada um dos sentidos.

Ayalal,
31.Desnus.4699

segunda-feira, 27 de junho de 2016

De dentro do detalhe que o molda


De dentro do detalhe que o molda, 
Atenta e escuta o que conta.
Numa língua sem palavras,
O búzio murmura os sons
Íntimos do aconchego do profundo,
E do voo alto da gaivota
Que toma nas asas a liberdade do céu.
São segredos de Gozreh, ditos
No dialecto da onda e do marulhar,
Aqueles que a espiral guardou em si,
Junto com as correntes do mar.


Ayalal,
22.Desnus.4699

domingo, 26 de junho de 2016

Abre a mão e observa


Abre a mão e observa
Cada um dos trilhos demarcados.
É o teu mapa de hipóteses,
O teu guia de perspectivas.

Entre encruzilhadas, bifurcações,
E labirintos sem saída,
Há caminhos que, sobrepostos,
Abrem vias desconhecidas.

Planos não ponderados,
Dimensões por imaginar.
Após a escolha desse passo,
Não há passo a recuar.

Porque o passado permuta
As hipóteses que o futuro conjuga,
E o que hoje é presente
Pode nunca vir a existir.

Por isso escolhe, fecha a mão
E agarra o futuro. Segue.
Se olhares para trás, guarda a lembrança,
É tua e do que há-de vir.

Ayalal,
20.Desnus.4699

sábado, 25 de junho de 2016

Diz-me, que razão te move



“Diz-me, que razão te move,
Na saga que é a vida?”
Move-me a certeza de ver
O teu sorriso a cada dia.

“E se não houvesse sorriso
Que pudesses vislumbrar?”
Se assim fosse, mover-me-ia
A esperança de o encontrar.

“E se esse sorriso partir um dia
Para não mais voltar?”
Mover-me-ia a lembrança
De que esse sorriso morreria
Se me visse parar.

Ayalal,
03.Desnus.4699

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Efémera, a borboleta é alma


Salvador Dali

Efémera, a borboleta é alma
De sopro leve, que se eterniza
Num breve bater de asas.
Que seja o seu voo alento
De ser livre e viver.

Ayalal,
16.Gozran.4699

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Olha-me, vil demónio


Olha-me, vil demónio,
Vê o que não podes discernir
Da alma, cerne muralhado,
Sem defesas de espinhos içados,
De portões abertos, onde,
Padecendo, és incapaz entrar.
Vê, demónio, a fortaleza aberta,
Aquela que, tomada por mim,
Não irás conquistar.

Ayalal,
25.Gozran.4699

Escuta os espíritos que habitam



Escuta os espíritos que habitam
O sopro do vento.
O seu fôlego percorre as léguas
Que são composição do mundo,
E em cada uma dão fracção de si,
Tomando parte do percorrido.
Eles são memória incorpórea
Do que é esquecido mas divino.



Ayalal,
14.Gozran.4699